o importante é enxergar oportunidades

A postura padrão para muitas empresas é processar pessoas que fazem uso de suas marcas. Recordo do caso de um designer que faz releituras de carros clássicos e, mediante ao sucesso de seus desenho recebeu um pedido por vias jurídicas de parar de usar a marca da Volks. A ação da empresa gerou muitas reações fortes inclusive de pessoas relevantes como o jornalista Flávio Gomes que fez duras críticas a Volks. Como resultado a Volks acabou abafando o caso , mas a imagem da empresa ficou de certa forma arranhada. Eu, pelo menos, sempre lembro.

Brasilia reformulada

Brasilia reformulada

Onde está o erro? A Volks não enxergou nos desenhos uma oportunidade de negócio. Qual oportunidade? Não sei e isso não importa neste momento.

Caso semelhante e mais recente está ligado ao vídeo – que se tornou um poderoso viral – de um casamento onde os padrinhos entram dançando de forma bizarra. Como pano de fundo a música Forever do cantor Chris Brown. A Sony poderia exercer seu direito e requisitar ao YouTube que removesse o áudio mas não, ao perceber a disseminação do video pela internet a empresa colocou anúncios de venda do CD na Amazon e também a venda direta da música no iTunes. Resultado? Tanto o CD quanto música entraram no Top10 de vendas da Amazon e  iTunes.

Quem tomou a decisão de manter o vídeo no ar e usá-lo como base para anuncio enxergou ali uma oportunidade e gerou para a empresa uma receita inesperada tão bem vinda em tempos de crise mundial.

Percebam que foi uma idéia simples, fugindo do protecionismo a marca e favorecendo o consumidor.

O papel das redes sociais nos negócios das empresas nunca estive tão em evidência e fará melhor uso quem souber enxergar este papel de forma sustentável e que gere oportunidades de novos negócios.

sites querem decretar o fim do Internet Explorer 6.0

O grande desafio de quem “faz sites” é a tal da portabilidade. O site precisa funcionar em todos os navegadores. Grifo “precisa” pois existem pessoas que não estão ligando para isto e digo que estão redondamente engadas.

O profissional precisa garantir que o usuário comum tenha acesso ao conteúdo divulgado no site. Esta deveria ser a premissa básica em qualquer projeto web. Traço sempre um paralelo a lojas: Projetos sempre tem que prever acessibilidade para o mais variado tipo de cliente, assim o logista poderá atender seu publico sem transtorno.

Passados quase 15 anos do surgimento da internet comercial no Brasil e, pelo menos 6 anos do boom da rede temos no mercado diversos navegadores com diversas versões. Muitos usuários usam o mesmo computador a anos sem atualizar qualquer software e dentre eles: O navegador.

Hoje cerca de 15% dos usuários de internet ainda faz uso do Internet Explorer 6. E outros 12% usam o Firefox 2.0. Resumo da opera 27% dos usuários acessam os sites com navegadores bem antigos.

Que impacto isso causa? Primeiro que esta massa está insegura. Estes navegadores diversas falhas de segurança que foram corrigidas pelos desenvolvedores e podem ser amplamente exploradas pelos criminosos virtuais.

Eles ficam marginalizados por muitos sites, deixando de ver alguns recursos suportados apenas pelos navegadores mais atuais.

Não é de hoje que se fala em uma cruzada dos principais portais para forçar os usuários a atualizarem seus navegadores mas esta idéia é geralmente execrada pelo conceito de que o usuário usa o que ele quer e “nós” temos que nos virar para adequar os sites.

Eu não concordo com isso. Os sites tem sim que se adequar ao usuário mas este, por sua vez, precisa entender a importantancia de atualiza seus aplicativos, principalmente pela variávei de segurança.

Está circulando na internet uma noticias de que o YouTube não irá mais “se preocupar” com usuários do Internet Explorer 6.0 em suas atualizações. O que isso significa? Que quem quiser ver videos vai ter que atualizar o Internet Explorer ou usar outro navegador.

Pensando no mercado brasileiro onde o número de Windows piratas é a grotesca maioria e os usuários não conseguem instalar o IE 7,0 e tão pouco o 8.0, veremos um aumento no numero de usuários para o Firefox e talvez para o Chrome.

Existem algumas outras iniciativas na web para forçar o usuário a atualizar seus navegadores, com a Update Your Browser. A campanha se dá através de banners que são colocados nos sites indicando aos usuários que atualizem seu navegador.

Veremos como o usuário irá se virar quando o YouTube parar de funcionar no Internet Explorer 6.0. Eu sinceramente espero que tenhamos um forte movimento de atualização dos navegadores, assim o tempo para migrarmos para o HTML 5.0 será menor e teremos uma web muito mais leve, com os sites carregando cada vez mais rápido.

Jakob Nielsen é contra a mascara em campos de senha.

Jakob Nielsen é uma referencia quando o assunto é usabilidade.  Polêmico e muitas vezes incompreendido principalmente por designers que veem suas dicas como algo contra a beleza.

Eu não sou radicalmente contra. Muitas coisas que ele diz e argumenta são validas. Ele não é o dono da verdade, por isso segue quem quer. Melhora que é capaz.

Recentemente ele fez um post em seu blog intitulado Stop Password Masking. O texto argumenta sobre a ineficîência em termos de segurança ao  se substituir os caracteres digitados por asterisco (*).

Diz ele que quem quer roubar senha não fica olhando a pessoa digitar. Fora que as pessoas geralmente digitam suas senhas quando estão sozinhas em seu computador, tanto em casa quanto no trabalho.

Eu discordo do Nielsen.  Um dos principais aplicativos para roubar senha dos usuários, se baseia sem capturar a tela para justamente enxergar o que o usuário digita. Por este motivo muitos sistemas de home bankling chegam a apagar o teclado virtual quando o usuário pressiona o botão correspondente a caractere de senha.

Outro aspecto importantissimo é a perceção de segurança do usuário. O fato do formulario esconder a senha ao ser digitada dá ao usuário uma sensação de segurança. Algo que ele não teria se o campo fosse aberto.

Pode ser que o formato de “digitar senha em uma caixa de texto” seja um formato antiquado e que, por questões de usabilidade, precise ser revisto.  Pondero que antes de vermos os aspectos de uso, precisamos garantir os aspectos de segurança.

Diversificação dos meios de validação de usuário, através de biometria – hoje um dispositivo biométrico é barato e tem notebooks que vem com este dispositivo acoplado. Adoção de Tokens que não requerem o uso de campo tipo “password” uma vez que a sequencia de números muda sempre são algumas existentes no mercado.

Mas elas esbarram em alguns fatores bem práticos ligados principalmente a usabilidade. O Token força o usuário a andar sempre com o chaveirinho. Biometria boicota o acesso de terminais sem o leitor biométrico.

Hoje, não vejo outra forma simple e segura de permitir acesso a um usuário que substitua o campo tipo password. Nos teclados virtuais usados pelos bancos está sempre presente o famoso campo que substitui o que é digitado por asteriscos. Mesmo quando usamos aqueles botões com 2 ou 3 opções de caracter alfanumérico, lá estão os asteriscos.

Proponho a reflexão:  Como inovar a forma com que validamos o usuário em nosso sistema? Inovar melhorando a usabilidade e acessibilidade para o usuário.

regulamentação dos profissionais de informática

Via twitter o Silvio Meira (@srlm) falou de um post em seu blog sobre a sua posição contrária a regulamentação da profissão de informática .

Ele descreve um texto bem articulado e embasado na Sociedade Brasileira da Computação, onde mostra a opinião de dois profissionais, um favorável e outro contrário.

Eu fiz o seguinte comentário no blog dele:

A questão é polemica. Muito. Eu sou a favor de algum tipo de regulamentação. Entretanto isso só seria possível com uma forte melhora no nível de ensino por parte das universidades e cursos de extensão.

Toda a profissão precisa de uma regulamentação no que diz respeito a um código de ética e conduta dos profissionais. Creio que a exigência de um diploma seria pedir muito em um país onde o percentual de graduados é pífio. Mas, assim como em profissões como as ligadas a área da saúde, engenharias (arquitetura) e outras, convém a existência de um conselho, que regulamente a pratica.

Nossa área teria maior credibilidade, e pessoas que denigrem a imagem da “profissão” poderiam sofrer as sanções da regulamentação. Como um médico que comete uma sucessão de erros ou um engenheiro que projeta um edifício que afunda ou desaba.

Eu não acredito no poder do diploma, mas vejo na universidade um diferencial para o profissional. tenho que acreditar na capacidade de educação pois, assim como você, sou professor e me preocupo com a formação de meus alunos.

Como disse, a discussão é ampla e polêmica.

Entendo as justificativas do Silvio. Elas tem sentido, entretanto creio que nossa área é promiscua e totalmente sem organização. Os profissionais vivem em um ambiente de canibalismo e concorrência extrema.

A não obrigatoriedade de diploma faz sentido em uma sociedade onde um percentual pífio da população tem acesso ao ensino superior.  E pior, um percentual pífio dos que tem acesso através de boas faculdades que realmente aplicam um ensino de base com qualidade. Sim, eu não acredito que a faculdade forme alguem. Ela dá a base se formação para a pessoa se tornar um profissional. Falo isso pela vivencia que tive como aluno e agora como professor universitário.

Mas, a área de informática é permeada de pessoas de outras profissões e carreiras que encontraram nela um meio de sobreviver. Não tenho dados estatísticos, mas conheço pessoas das mais variadas áreas trabalhando com informática. De biologos a médicos, de engenheiros a fisioterapeutas.

Certa vez, conversando com uma pessoa formada em outra área – engenharia civil – e que trabalha com TI, que meu pai trabalhava com reformas e construções e que, uma das casas que temos ele construiu sozinho, fez a planta e tudo mais. Ele me repreendeu, dizendo que meu pai não poderia ter feito aquilo, que precisava de um engenheiro e um arquiteto para tal.

Eu respondi que ele tinha razão, assim como ele não poderia trabalhar com o que trabalha, pois não tem a formação para aquilo. O assunto acabou ai.

Vejam, eu não sou – integralmente – contra a entrada de profissionais de outras áreas na TI. Algumas carreiras são muito específicas, outras mais generalistas. Como dizer que um Administrador de empresas não pode gerenciar uma área de TI ou administrar uma empresa de TI? Como dizer que um físico não pode trabalhar com desenvolvimento de aplicativos? Conheço um excepcional profissional de TI, especializado em jogos chamado Adriano Santangeli, que trabalha com aplicativos para IPhone. Se não fosse os conhecimentos em Física, dificilmente teria tanta qualidade no que faz.

Mas vejamos o lado da regulamentação. O caso “rouba.php” desenvolvido dentro da Catho em meados de 2002 para se apoderar de dados dos sites concorrentes e aumentar sua base de curriculos. O que houve com as pessoas envolvidas? Estão no mercado. Empresas, profissionais e a sociedade não está livre destas coisas. Claro que o caso é extremo e foi (ou está sendo ainda.. não sei dizer) julgado pela justiça.

Um caso envolvendo um médico ou engenheiro, este certamente será alvo de processo judicial E será alvo de investigação do conselho que regulamenta a profissão, podendo ter sua licença de trabalho caçada. Por que não podemos ter isso em TI?

Esta é a minha opinião.

Fonte: Panissi.net